Ilhas Marshall

Fórum das Ilhas do Pacífico alerta sobre os impactos devastadores das mudanças climáticas

setembro 26, 2024 | by IlhasMarshall

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No coração do Pacífico, onde nações insulares estão à beira de desaparecer devido ao aumento do nível do mar, o Fórum das Ilhas do Pacífico (FIP) reuniu líderes regionais e internacionais para tratar de uma crise que já não é mais uma ameaça distante, mas uma realidade urgente. O evento, que teve início em Tonga, busca chamar atenção global para o impacto das mudanças climáticas em países como Tuvalu, Nauru e Kiribati, cuja existência está em jogo.

Com uma altura média de apenas três metros acima do nível do mar, os atóis de coral de Tuvalu são um dos exemplos mais dramáticos dessa crise. A ministra do Clima de Tuvalu, Maina Talia, enfatizou a necessidade de responsabilizar os grandes emissores de carbono:
“Os poluidores devem pagar pelo custo dos danos climáticos. Não podemos ignorar a raiz do problema, que é a indústria de combustíveis fósseis,” declarou.

Uma região na linha de frente das mudanças climáticas

O secretário-geral do FIP, Barão Waqa, de Nauru, descreveu a reunião como um momento crucial para a história da região: “Estamos na linha de frente da batalha contra as mudanças climáticas.”

Essas palavras ecoam o senso de urgência compartilhado pelos 18 Estados e territórios membros do fórum, incluindo Nova Caledônia e Polinésia Francesa. Para esses países, as mudanças climáticas não são apenas uma questão ambiental, mas também de sobrevivência. Em Tuvalu, por exemplo, especialistas preveem que a maior parte do território poderá estar submersa em menos de 30 anos.

O evento ganhou atenção global, com a participação do secretário-geral da ONU, António Guterres. Ele destacou o papel crucial das decisões tomadas hoje para determinar o destino não apenas das ilhas do Pacífico, mas do mundo inteiro.
“As escolhas dos líderes globais nos próximos anos decidirão o destino dos moradores dessas ilhas e, posteriormente, de todos nós,” afirmou Guterres.

Demandas e propostas do Fórum das Ilhas do Pacífico

Entre as principais demandas do FIP está a criação de um fundo local de adaptação climática, que seria gerido pelos próprios países da região. Esse fundo busca garantir recursos para enfrentar desastres naturais, fortalecer infraestruturas e promover a resiliência climática em comunidades vulneráveis. Com a ajuda externa reduzida, os líderes das ilhas querem assegurar um controle mais direto sobre os financiamentos necessários.

Outro tema em destaque é a candidatura da Austrália para sediar a COP31 em 2026. Embora a Austrália seja um dos maiores exportadores de carvão e gás do mundo, muitos participantes veem essa proposta com ceticismo. Para os líderes insulares, o país deve antes demonstrar maior compromisso com ações concretas para reduzir suas emissões de carbono e apoiar os esforços de adaptação climática na região.

Geopolítica no Pacífico: uma batalha por influência

Além das discussões climáticas, o FIP também reflete a complexa dinâmica geopolítica no Pacífico. Países como China, Estados Unidos e Austrália disputam influência sobre as nações insulares, muitas vezes oferecendo ajuda econômica em troca de alinhamento estratégico.

A China, por exemplo, tem investido pesadamente na construção de infraestruturas nos países da região, como academias, hospitais e estádios. No entanto, isso vem acompanhado de uma crescente dependência financeira. Tonga, por exemplo, deve cerca de 130 milhões de dólares ao Banco de Exportação Chinês – o equivalente a um terço do seu PIB.

Os Estados Unidos e a Austrália têm respondido com iniciativas próprias, distribuindo ajuda econômica e fortalecendo laços bilaterais. Durante o fórum, Kurt Campbell, enviado dos EUA, destacou o compromisso americano em conter as ambições chinesas e reforçar a segurança regional.

“Estamos na encruzilhada dos interesses geopolíticos globais,” alertou o secretário-geral do FIP, Barão Waqa. Ele enfatizou a necessidade de vigilância para proteger a segurança e a soberania das nações insulares.

Uma ameaça que não pode ser ignorada

Enquanto os líderes discutiam estratégias para mitigar os impactos climáticos, o primeiro dia da cúpula foi marcado por um terremoto de magnitude 6,9, que abalou Tonga. Embora não tenha gerado tsunamis, o evento serviu como um lembrete sombrio dos desafios naturais e climáticos enfrentados pela região.

“Estamos perdendo a capacidade de reconstruir, de enfrentar outro ciclone ou outra inundação,” lamentou Maina Talia, reforçando a urgência de ações globais.

Justiça climática já

O Fórum das Ilhas do Pacífico é mais do que um evento diplomático – é um grito por justiça climática de povos cuja sobrevivência está ameaçada. O apelo dos líderes insulares vai além de medidas paliativas: eles exigem responsabilidade dos maiores emissores globais e ações concretas para conter o aquecimento global.

As decisões tomadas hoje não impactam apenas o Pacífico, mas toda a humanidade. Garantir um futuro para as Ilhas do Pacífico significa proteger um patrimônio cultural único e preservar um alerta vivo sobre os riscos que todos enfrentamos.

fonte: https://www.rfi.fr/br/mundo/20240826-f%C3%B3rum-das-ilhas-do-pac%C3%ADfico-visa-alertar-sobre-impacto-do-aquecimento-global-na-regi%C3%A3o

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