Ilhas do Pacífico em risco: Impactos do aumento do nível do mar e mudanças climáticas
novembro 19, 2024 | by IlhasMarshall

As Ilhas do Pacífico enfrentam uma crise existencial. Um triplo golpe – o aumento do nível do mar, o aquecimento dos oceanos e a acidificação – ameaça suas populações, infraestrutura e ecossistemas. Relatórios recentes da Organização Meteorológica Mundial (OMM), apresentados durante o Fórum das Ilhas do Pacífico, em Tonga, destacam os perigos crescentes que colocam em risco a viabilidade socioeconômica dessas nações insulares e, em muitos casos, sua própria existência.
“Uma catástrofe global está colocando este paraíso em perigo,” alertou António Guterres, Secretário-Geral da ONU, durante o evento. Ele também emitiu um “SOS global” para salvar as ilhas e suas populações das consequências devastadoras das mudanças climáticas.
Ameaças Crescentes: Oceanos em Transformação
Segundo o relatório State of the Climate in the South-West Pacific 2023, as mudanças no oceano Pacífico estão avançando em ritmo alarmante:
- Aumento do nível do mar: Nos últimos 30 anos, o nível do mar na região subiu mais que o dobro da média global.
- Temperaturas do oceano: Desde 1980, as temperaturas da superfície do mar aumentaram três vezes mais rápido que a média global.
- Ondas de calor marinhas: Dobrou a frequência desses eventos extremos, que agora são mais intensos e duradouros.
Essas alterações têm consequências diretas para as comunidades insulares:
- Destruição de ecossistemas costeiros: Pesca e plantações estão sendo prejudicadas, ameaçando a subsistência local.
- Inundações e erosão: Comunidades inteiras enfrentam a perda de terras e deslocamento forçado.
- Contaminação de água doce: A intrusão de água salgada compromete o abastecimento hídrico.
“O oceano, antes um amigo ao longo da vida, está se tornando uma ameaça crescente,” destacou Celeste Saulo, Secretária-Geral da OMM.
Impactos Humanos e Socioeconômicos
Com uma altitude média de apenas 1 a 2 metros acima do nível do mar, as ilhas do Pacífico estão entre as mais vulneráveis do planeta.
- 90% da população vive a até 5 km da costa.
- Metade da infraestrutura está a menos de 500 metros do mar.
Eventos climáticos extremos agravam ainda mais a situação. Em 2023, a região enfrentou 34 eventos hidrometeorológicos significativos, que resultaram em mais de 200 mortes e impactaram mais de 25 milhões de pessoas. Exemplos incluem:
- Ciclones Tropicais Kevin e Judy: Impactaram Vanuatu em março com apenas 48 horas de intervalo.
- Tufão Doksuri: Provocou fortes inundações nas Filipinas, deixando 45 mortos e 313 mil deslocados.
- Ciclone Gabrielle: Devastou a Ilha Norte da Nova Zelândia com chuvas torrenciais.
Esses eventos não apenas destroem vidas e infraestrutura, mas também intensificam a pressão econômica sobre nações insulares já frágeis.
Chamado à Ação Global
Guterres ressaltou que as ilhas do Pacífico, embora representem apenas 0,02% das emissões globais, sofrem desproporcionalmente os impactos climáticos. Ele reforçou a necessidade de:
- Reduzir emissões globalmente: Apenas cortes drásticos nos gases de efeito estufa podem mitigar o aumento do nível do mar e outras consequências.
- Aumentar o financiamento climático: É essencial dobrar os investimentos em adaptação climática para pelo menos US$ 40 bilhões por ano até 2025.
- Fortalecer sistemas de alerta precoce: Apenas um terço dos pequenos Estados insulares possuem esses sistemas, essenciais para salvar vidas durante desastres climáticos.
Guterres também enfatizou que o aumento do nível do mar não é apenas um problema do Pacífico, mas uma ameaça global. “Os mares estão vindo para todos nós,” alertou, apontando que cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem em áreas costeiras vulneráveis.
Conclusão: Virando a Maré
As mudanças climáticas transformaram o oceano de um aliado para um desafio. Relatórios como o divulgado pela OMM oferecem um panorama claro da gravidade da situação no Pacífico e em outras regiões costeiras. A resposta global precisa ser rápida, ambiciosa e inclusiva.
Salvar as Ilhas do Pacífico significa salvar não apenas suas populações e culturas, mas também proteger uma importante sentinela contra os impactos das mudanças climáticas para toda a humanidade. O tempo para agir é agora – antes que essas nações insulares desapareçam sob as ondas.
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